Trajetória
de Delmiro Gouveia
Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu
em Ipu (Ceará) no dia 5 de junho de 1863 foi um grande industrial brasileiro, sendo um dos pioneiros da industrialização do
país. Nasceu na Fazenda Boa Vista sendo
filho biológico do cearense Delmiro Porfírio de Farias e da pernambucana
Leonila Flora da Cruz Gouveia. Sua família transferiu-se em 1868 para o estado
de Pernambuco, onde se estabeleceu na cidade de Goiana, mudando-se para o
Recife em 1872.
Com a morte de sua mãe teve que precocemente começar a trabalhar aos 15
anos de idade, em 1878, inicialmente como cobrador da Brazilian Street
Railways Company no famoso trem urbano, denominado maxambomba.
Posteriormente chegou a Chefe da Estação de Caxangá, no Recife. Foi despachante
em armazém de algodão. Em 1883 foi ao interior de Pernambuco, interessado no
comércio de peles de cabras e de ovelhas, que passou a negociar, tendo obtido
grande sucesso. Em 1886 estabeleceu-se no ramo de couros e passou a trabalhar,
por comissão, para o imigrante sueco Herman
Theodor Lundgren (Casas
Pernambucanas) e para outras empresas especializadas nesse comércio,
como a Levy & Cia. Trabalhava também por conta própria. Em 1896 fundou a
empresa Delmiro Gouveia & Cia e passou a alijar seus concorrentes do
mercado, empregando os melhores funcionários das empresas concorrentes.
Desde
o começo de sua carreira profissional, Delmiro era considerado uma lenda “viva”
para os recifenses, protagonizando no avanço e na melhora nos negócios nas
regiões de Pernambuco e Alagoas. Sendo um dos empresários mais conhecido
naquela época, foi um dos melhores do ramo da venda do couro. Posteriormente
criou em 1893 o primeiro shopping Center do Brasil, o Derby. Esse
empreendimento foi um grande sucesso e motivo de orgulho para o Recife, e chegou a atrair multidões estimadas em mais de
oito mil pessoas, até que foi deliberadamente incendiado em 2 de janeiro de
1900 pela polícia de Pernambuco, por orientação do Conselheiro Rosa e Silva, que era
feroz inimigo político de Delmiro, e a mando do então governador Sigismundo Gonçalves, seu fiel “inimigo”.
Após o
incêndio, ateado por razões políticas no Derby, e também
em virtude de ter-se apaixonado por, e depois raptado, uma filha do governador
de Pernambuco, seu arqui-inimigo político. Delmiro concluiu que sua vida corria
perigo no Recife e transferiu-se, em 1903, para Pedra, em Alagoas, uma
povoação perdida no coração do sertão, mas de localização estratégica para seu
comércio, pois era um local de difícil acesso para possíveis furtos, na Microrregião
Alagoana do Sertão do São Francisco, fazendo fronteira com Pernambuco, Sergipe
e Bahia, e hoje denominada Delmiro Gouveia em sua
homenagem. Delmiro comprou uma fazenda em Pedra, às margens
da Ferrovia Paulo Affonso, onde centralizou seu lucrativo comércio de peles e
construiu currais, açude, sua residência, e prédios para abrigar um curtume (nome dado ao local onde se
processa o couro cru).
Planejando
construir ali uma fábrica de linhas de costura - que até então eram importadas
da Inglaterra, as conhecidas Linhas Corrente, que monopolizavam o mercado
brasileiro, conseguiu do governo de Alagoas concessões que
incluíam o direito à posse de terras devolutas, isenção de impostos para a
futura fábrica, e permissão para captar energia da cachoeira de Paulo Afonso, além de
recursos governamentais para ajudar na construção de 520 quilômetros de
estradas ligando Pedra a outras localidades.
A partir de 1912 iniciou a construção da fábrica de linhas e da Vila Operária
da Pedra, com mais de 200 casas de alvenaria. Em 1914 iniciou as atividades da
nova fábrica sob a razão social Companhia
Agro Fabril Mercantil, produzindo as linhas com nome comercial
"Estrela" para o Brasil, e "Barrilejo" para o resto da
América Latina. “Com preços muito abaixo das Linhas Correntes”, produzidas na
Inglaterra pela Machine
Cotton, que até então monopolizava o mercado de linhas de costura em toda a
América Latina, logo dominou o mercado brasileiro, e amplas fatias dos mercados
latino-americanos.
Já para construir Angiquinho,
Delmiro foi à Europa adquirir o maquinário
necessário, e acabou por contratar um engenheiro italiano, Luigi Borella, para projetar a empreitada. Também foram contratos
engenheiros e técnicos franceses para montar a Usina. Conta à história que ao
verem a localização da casa de máquinas da Usina (que era encravada no paredão
do cânios do rio) não hesitaram em tentar recuar sendo barrados por Delmiro que
o obrigaram a descer em um elevador improvisado por cordas trançadas de couro,
debaixo da mira de uma arma. Como a casa de máquinas da usina ficaria no paredão
do “cânion” do rio São Francisco, local de difícil acesso.
Inaugurada em 26 de Janeiro de 1913 pelo então empresário Delmiro Gouveia, 1ª Hidrelétrica da Cachoeira
de Paulo Afonso e a 1.ª do Nordeste tinha como objetivo fornecer energia elétrica a uma grande indústria têxtil chamada de Companhia Agro Fabril Mercantil
localizada na cidade de Pedra (hoje Delmiro Gouveia). Sua energia era bastante também para alimentar
uma bomba d'água que abastecia a mesma cidade,
distante aproximadamente 24 km da cachoeira. A usina de Angiquinho fica a
poucos quilômetros de Paulo Afonso, na Bahia.
Por intermédio da CHESF e da prefeitura de Delmiro Gouveia, está sendo executado um projeto de
recuperação que prevê a restauração total da usina, da Furna dos Morcegos (onde
dizem que Lampião se escondeu - contudo a presença dos cangaceiros na área de
Angiquinho já foi praticamente desmentida, pois não se encontrou qualquer
indício dessa passagem e depoimentos de cangaceiros do bando afirmaram que
nunca estiveram naquela área. Além disso, seria incoerente um bando tão
articulado como o de Lampião se esconder em um local que tem apenas uma única
entrada) e de um elevador que leva à caverna. Foram gastos aproximadamente para
a recuperação da área R$ 1.500.000,00.
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